Nas universidades, as mulheres representam 57% das pessoas tituladas na pós-graduação. Elas também são maioria entre estudantes e bolsistas de pesquisa no país. No entanto, apesar de predominarem na formação acadêmica, ocupam apenas 43% do corpo docente na pós-graduação.
Essa disparidade revela uma desigualdade na carreira acadêmica, em que os homens encontram caminhos mais facilitados, enquanto as mulheres enfrentam diversos obstáculos, mesmo sendo maioria entre as cientistas em formação.
Identificar o que as instituições de ensino superior têm feito para promover um ambiente com mais equidade de gênero na docência foi o objetivo da pesquisa realizada por Daniela Atães, desenvolvida no Instituto de Geociências (IG) da Unicamp.
A desigualdade se torna ainda mais evidente em áreas científicas com maior financiamento. Na engenharia, por exemplo, as mulheres representam apenas 23% do total de docentes. Já nas ciências da Terra, cerca de 24% do corpo docente é composto por professoras.
De acordo com a pesquisa, alguns fatores contribuem para a maior dificuldade de permanência das mulheres na universidade, como: menor acesso a cargos de dedicação exclusiva; desigualdade salarial; impacto da maternidade na carreira; menor acesso a posições de liderança científica. Como consequência, muitas cientistas enfrentam dificuldades para permanecer ou avançar na carreira acadêmica.
A Aprudesc defende que os espaços acadêmicos precisam avançar na construção de políticas institucionais que promovam equidade de gênero, com valorização da carreira docente feminina, condições iguais de progressão acadêmica e enfrentamento permanente das desigualdades estruturais.
Matéria: Sílvia Medeiros